Extrema pobreza aumenta no Brasil

Os índices de pobreza e desigualdade no Brasil pioraram, segundo levantamento divulgado pelo  IBGE (11/4), a partir dos microdados da Pnad Contínua. O número de pessoas em situação de extrema pobreza no país passou de 13,34 milhões em 2016 para 14,83 milhões no ano passado, um aumento de 11,2%. Reportagem no Valor Econômico (12/4) destacou o fato de que todas as regiões exibiram indicadores piores de pobreza, com o Nordeste concentrando 55% da população extremamente pobre — o equivalente a 8,1 milhões de pessoas com renda per capita abaixo de R$ 136. Segundo a pesquisa, um contingente 10,8% maior do que o registrado no ano anterior (ou 800 mil pessoas a mais). Mas a miséria também cresceu na região mais rica, o Sudeste, principalmente nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Mini camera espiã.  Extrema pobreza aumenta no Brasil 300x188 - Extrema pobreza aumenta no Brasil
Ao analisar os dados da pesquisa, o economista Cosmo Donato disse ao Valor (12/4) que um dos fatores responsáveis pelos índices ruins foi o fechamento de postos com carteira assinada,
que têm garantias trabalhistas e pisos salariais. “No lugar desse emprego, o mercado de trabalho
gerou ocupações informais, de baixa remuneração e ganho instável ao longo do tempo”, avaliou. Em análise publicada no Jornal do Brasil (23/4), Francisco Menezes, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), também apontou o desemprego como a principal causa do acelerado empobrecimento, acrescentando que, para a população pobre e com menor escolaridade, a situação de desocupação se mostrou ainda mais grave. “A menor atividade da construção civil e de outros segmentos empregadores deste setor cobrou um preço alto para este grupo, seja diretamente com a perda de postos de trabalho, seja pelo subsequente enfraquecimento da economia informal, que eles costumam protagonizar”, escreveu. “Soma-se a isso a aplicação de um receituário de políticas públicas que teve na Reforma Trabalhista aprovada em 2017 e na legislação da terceirização os principais instrumentos para o crescimento da informalidade e a precarização das condições de renda e trabalho”. A pesquisa divulgou ainda que os domicílios que recebem Bolsa Família caíram de 14,3% em 2016 para 13,7% do total no ano passado. Na edição de março de Radis (186), o diretor geral da FAO-ONU, José Graziano, se mostrava apreensivo com o aumento da extrema pobreza e a possibilidade de o Brasil voltar ao Mapa da Fome. Para ele, em um cenário de crise econômica e em condições adversas com o aumento dos índices de desemprego, por exemplo, torna-se essencial a manutenção dos investimentos sociais. “O que se noticia, porém, são cortes nos orçamentos dos programas e redes de proteção sociais no Brasil”, disse na ocasião. Segundo a leitura de Francisco Menezes publicada no Jornal do Brasil, o cenário preocupante revelado pela pesquisa traz de volta a discussão sobre a Emenda Constitucional 95, que criou o teto dos gastos públicos por 20 anos e, de acordo com Menezes, já causa efeitos absolutamente danosos” aos programas sociais que sofreram reduções orçamentárias significativas. “O investimento em serviços básicos é fundamental para garantir uma vida digna para a população,
que é exatamente o que o congelamento dos gastos do governo impede”, diz. Para ele, esse congelamento aprofunda as outras faces da pobreza e da desigualdade, aquelas que vão além da
renda e que dizem respeito à negação do acesso a serviços básicos, como saúde, educação e assistência social. “O argumento do controle dos gastos públicos não autoriza a retirada
de direitos sociais, como agora está acontecendo”.

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